The Ark é uma história que para nós se utiliza de um enredo já bastante batido, sendo até mesmo replicado no arco The... REVIEW CLÁSSICA: Arco 023 – The Ark

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The Ark é uma história que para nós se utiliza de um enredo já bastante batido, sendo até mesmo replicado no arco The Ark in Space (da era do 4ª Doutor) como em filmes (Passageiros é o exemplo mais recente e Wall-E que é um exemplo mais bonitinho que o anterior rs), onde a humanidade se vê em Planeta em destruição eminente e se lança no espaço em busca de um novo planeta (Refusis II) para preservar a raça humana, que fica entretanto à 700 anos de distância da Terra. Dentro deste enredo é desenvolvida a relação, aparentemente harmônica, de dois povos dentro dessa arca, os humanos e os Monoides. Os Monóides, como o próprio nome já diz, são alienígenas que possuem apenas um olho, se assemelhando muito com os Ciclopes da mitologia grega exceto pelo cabelo de cuia. Esses seres também acabaram de perder seu planeta e são resgatados pelos humanos, e por sobrevivência e abrigo oferecem seus conhecimentos mecânicos aos humanos. E no meio dessa configuração social que o Doutor, Steven e Dodo chegam com a TARDIS.

Curiosamente o arco é dividido em duas partes de dois episódios. Em um primeiro momento, vemos uma arca controlada por humanos, com os Monóides como serventes em uma relação já dita como harmônica. A chegada da tripulação da TARDIS expõe os moradores da arca à um vírus que havia sido erradicado já, visto que Dodo havia apresentados os sintomas de uma gripe logo no começo do episódio. O que para nós seres humanos é algo simples de se lidar, para os Monóides já não foi tanto, já que sua raça nunca havia entrado em contato com esse vírus, tornando-o extremamente mortal para eles. Toda essa situação expõe a fragilidade da relação entre as espécies, colocando o Doutor e seus companions no meio dela. O mais interessante é que esse plot é só o começo do arco, sendo rapidamente resolvido ao fim do episódio 2, com o Doutor replicando a vacina e distribuindo para os moradores da arca. A situação começa a se complicar quando após retornarem para a TARDIS e esta aterriza novamente na Arca, porém 700 anos frente próximo a chega em Refusis II. Porém, o Doutor e seus companions encontram uma situação completamente inesperada, com a Arca dominada pelos Monóides e os humanos de escravos. Essa mudança no jogo se deu por conta de uma segunda onda de gripe que atingiu os humanos, quase que dizimando a espécie, porém não afetou os Monóides, que durante esse tempo evoluíram em diversos aspectos.

O interessante deste arco é que apesar de ser uma história já batida para nós, porém de grande importância pra época onde o tema estava começando a ser discutido, ainda mais para um programa que a audiência era jovem. Além disso, o arco não tem uma trama arrastada, muito pelo contrário essa divisão em dois momentos trouxe uma agilidade pouco vista nos arcos dessa era e os conflitos entre as raças foram muito bem explorados em ambos os casos. São pérolas como essas que valem a pena acompanhar Doctor Who Clássico, pois vemos que não é necessários histórias tão mirabolantes para se fazer um bom episódio ou arco, nem efeitos especiais grandiosos, mas com uma história boa e bem contada é capaz de ser atraente.

A ficção científica tem essa função, projetar o futuro e nos fazer refletir muito de nossas ações como seres humanos, em como nós nos relacionamos e nos relacionaríamos com outras espécies. Em uma época em que descobrimos planetas semelhantes a Terra, histórias como a The Ark e muitas outras que relatam a busca por um novo lar se tornam mais palpáveis a nossa realidade, mesmo que distante ainda em milhares de anos. Em The Ark o ser humano foi de dominante à dominado, até estabelecer uma relação de paz, uma segunda chance, em um novo planeta com a espécie que por séculos lhe fizeram de escravos. E são nessas pequenas coisas, nessas pequenas reflexões que Doctor Who mostra seu objetivo primário, ser um programa educativo, com visitas ao passado e ao futuro, seja nos fazendo pensar, seja nos ensinando um pouco de história.

O episódio finaliza com o desaparecimento do Doutor da TARDIS para um arco que mostrará toda a inteligência do Primeiro Doutor em The Celestial Toymaker que será comentado na próxima pela Denise. E se você quer rever ou ver The Ark pela primeira vez é só clicar aqui! E que tal já se adiantar para a review da próxima semana e baixar o The Celestial Toymaker? Só acessar esse link!

 

Gostou do Arco?? Não esqueça de comentar suas impressões sobre esse arco e se tiverem indicações de filmes de sci-fi que abordam o tema, indiquem também! Até a próxima!

Vinícius Viana

Farmacêutico, 26 anos, professor, aspirante a Doutor e completamente viciado numa tal série de um cara louco que viaja no tempo numa cabine de polícia azul.

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