O episódio de estreia da 9ª temporada começa como praticamente um remake do arco Genesis of the Daleks da série clássica, de... Review – The Magician’s Apprentice

[Spoilers, sweetie]

O episódio de estreia da 9ª temporada começa como praticamente um remake do arco Genesis of the Daleks da série clássica, de 1975. Elementos da Guerra de Mil Anos de Skaro estão presentes em ambas as histórias, como uma paisagem devastada coberta por névoa, soldados maltrapilhos e inclusive uma menção à mistura de diferentes tecnologias como evidência da enorme duração do conflito. O arco clássico que introduziu Davros é emblemático pela cena em que o Doctor de Tom Baker se encontra na capacidade de destruir recém-criados embriões de Dalek para sempre, salvando incontáveis vidas no futuro ao cometer genocídio, algo que ele se mostra incapaz de fazer. No momento crítico da decisão, ele diz a Sarah Jane:

 “Escute, se alguém que sabe o futuro apontasse uma criança a você e lhe dissesse que aquela criança se tornaria totalmente má ao crescer, tornando-se um ditador impiedoso que destruiria milhões de vidas, você conseguiria então matar aquela criança?”

Em The Magician’s Apprentice, Moffat coloca o Doctor nesta exata situação, tendo a vida de um pequeno Davros em suas mãos. Antes mesmo da abertura, temos um maravilhoso dilema para o protagonista. A narrativa alinear do episódio inclui os dois miniepisódios divulgados anterioramente, Prologue e The Doctor’s Meditation, essenciais para uma compreensão plena da trama, onde o Doctor se exila em Karn ao fugir da responsabilidade de uma decisão e, ao saber que Davros procura por ele, entrega seu testamento a Ohila da Irmandade de Karn e vai para a Inglaterra do século XII para uma sempre procrastinada meditação. Aparentemente, Moffat não consegue escrever mais de uma temporada sem colocar o Doctor frente com a frente com sua iminente e inevitável morte-que-dessa-vez-com-certeza-é-a-verdadeira. Mesmo com esse plot já feito à exaustão desde a 6ª temporada, Capaldi entrega aqui uma intepretação brilhante e matizada de uma alma perturbada, entregue a fúteis distrações numa tentativa inútil de escapar de seu destino. Pelo menos estas distrações se mostram fontes de ótimas gags, como o futuro clássico Doctor rockstar em cima de um tanque soltando trocadilhos que, segundo ele, serão hilários em algumas centenas de anos.

O personagem Colony Sarff, que viaja o universo à procura do Doctor, é uma ideia perturbada que funciona muito bem, graças a uma eficaz junção de prostéticos e computação gráfica. Espero que eventualmente vejamos mais de sua origem e de sua relação com Davros.

Michelle Gomez volta como Missy ainda melhor. Brilhantemente aterrorizante, poucas vezes um vilão foi tão ameaçador na série quanto na cena em que ela e Clara discutem o paradeiro do Doctor sob a sombra de um avião, enquanto a Time Lady desintegra agentes da UNIT apenas para provar que, ao contrário do que Clara pensa, ela não se tornou “do bem”. A maneira que Missy encontra de chamar a atenção da UNIT é um clássico plano do Master: bizarro. A ideia dos aviões é o único momento que pareceu destoante do resto, talvez pelo fato de parecer por si só a trama de um episódio separado.

No último ato do episódio, temos o retorno triunfante de Skaro ao som de uma excelente coro apocalíptico de Murray Gold, de um Davros moribundo provavelmente em decorrência dos eventos de Journey’s End, e de vários Daleks dos 51 anos da série. Confesso que vibrei muito com o fato da primeira aparição deles no episódio ser o primeiro modelo da era Hartnell em seu glorioso azul-bebê. Para a supresa de alguns (que não leram os spoilers dados por Moffat na revista Radio Times semana passada), os momentos seguintes mostraram as mortes de Missy (de novo) e Clara (de novo mais uma vez). Com isso, o Doctor só se vê com uma opção, voltando para o campo de guerra do início do episódio para exterminar Davros de uma vez por todas.

A primeira parte da história de abertura trouxe vários momentos ótimos, alguns um pouco estranhos e um cliffhanger que, apesar de permitir uma expectativa um tanto quanto previsível, dá a possibilidade de vários desenvolvimentos interessantes em The Witch’s Familiar, o episódio da semana que vem. E que venha a 9ª temporada!

Universo Who

Publicações feitas por colaboradores que em algum momento fizeram parte da história deste site desde 2009, mas que não mais fazem parte do projeto.

  • Mayh Lynny

    setembro 21, 2015 #1 Author

    Também me fiz a mesma pergunta…. Mas, talvez seja uma referência ao Bors. Pra quem viu os dois minisódios, em The Doctor’s meditation ele é considerado um mágico, e o Bors é o “cara” responsável por ajudá-lo em sua estadia, uma espécie de assistente. Mas Bors é de fato uma marionete Dalek (daquelas do episódio The Dalek Asylum, da 7ª temporada). Daí o nome The Magician’s Apprentice… acho que isso. Mas é só uma teoria minha.

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    • Fábio Fonseca

      setembro 24, 2015 #2 Author

      Neste caso, os Daleks seriam os aprendizes. Acho a perspectiva mais interessante. O Doutor também é um aprendiz, tentando reaprender algum truque ao longo do episódio antes que Davros, ou sua própria consciência, o encontre. A mágica que está em questão para ambos pode ser uma possibilidade de redenção para aquele momento de desolação a que o Davros criança se vê entregue na cena crucial do episódio.

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  • René

    setembro 22, 2015 #3 Author

    Bang, agente da UNIT. Bang, Homem de Preto. Bang, Missy. Bang, Clara. Bang, TARDIS. Nunca vi tanto BANG. Até o Bors vira vilão. Pô, não vai sobrar ninguém para o segundo episódio! Ou a temporada está começando ao estilo da River: de trás para frente?

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  • Nicolas

    setembro 22, 2015 #4 Author

    Mano!!!Já foi duro aguentar saber q a Clara ia sair, agr quando eu vi os daleks atirando meus dois corações pararam d bater

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    • René

      setembro 23, 2015 #5 Author

      Se a Clara sair agora, a Missy sai também. Mas ninguém falou da Missy sair. Então acho que não vai ser agora.

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  • Rodrigo Garcia

    setembro 23, 2015 #6 Author

    Só esqueceu de mencionar que os Daleks estão tentando destruir a TARDIS. Porém, se o Doctor conseguiu viajar no tempo depois do que o Davros fala pra ele, fica evidenciado que não conseguiram.

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  • Nicolas Targino

    setembro 23, 2015 #8 Author

    E solo de guitarra do Doutor foi épico

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  • Marcos Carneiro Lima

    setembro 23, 2015 #9 Author

    Não acredito que o Doctor irá matar o Davros. Pois caso isso aconteça ele estará reconhecendo que ter compaixão é errado, que o Davros está certo e todas as vezes que ele demonstrou compaixão agiu de forma errônea.

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  • Ana Lucia F. Lieuthier

    setembro 24, 2015 #10 Author

    Muitas perguntas, muitas perguntas, algumas idéias:
    -1- Clara e Missy morreram? Acho que não
    Missy deve ter preparado seu teletransporte para microssegundos pré disparo do Dalek; deixou o da Clara preparado também.
    -2- Daleks destruindo TARDIS? Nem uma frota inteira conseguiu antes, meia dúzia de saleiros não conseguria.
    -3- Para quem foi o Pretty Woman mesmo?
    No mais…. mistééério

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