E se o homem tivesse a oportunidade de chegar a outros planetas bem antes do que a gente imagina? Aliás, antes até do que... Review s10e09 – Empress of Mars

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E se o homem tivesse a oportunidade de chegar a outros planetas bem antes do que a gente imagina? Aliás, antes até do que a gente sabe? E, chegando a outro planeta, quais seriam os propósitos dos humanos? É dessas questões que parte Empress of Mars, colocando um grupo de soldados britânicos do século XIX em uma mais que inesperada expedição a Marte. Pra completar o improvável enredo, temos a participação dos Ice Warriors, que completam 50 anos este ano, tendo surgido na série em 1967. Poderia ter sido uma salada indigesta, mas Mark Gatiss, mesmo conhecido por episódios erhh… duvidosos [nunca superamos os monstros de remela], conseguiu entregar um roteiro honesto e surpreendeu positivamente os fãs.

A maior parte da aventura acontece em 1881,  quando a Rainha Vitória comandava o Reino Unido e todas as terras que eram subordinadas à Inglaterra (como a Índia, a Austrália e partes da África). O contexto não foi escolhido por acaso, mas com a finalidade de questionar o espírito de dominação que era cultivado no País junto aos valores vitorianos. Parece que depois de pegar tanto no pé dos norte-americanos, a série resolveu puxar as orelhas do seu próprio povo dessa vez, embora de uma forma um pouco mais sutil, quando atribui isso a um passado que, convenhamos, não está tão distante assim. De qualquer forma, a atitude dos soldados de ir explorar um território estrangeiro em busca de riquezas que não eram suas por direito e imediatamente proclamá-lo como propriedade da coroa britânica reflete não só a história de vários países europeus, mas também o que realmente poderia acontecer se tivéssemos acesso a outros planetas.

A ideia de colocar os homens como os invasores da vez continua a linha traçada por toda a temporada, que vem explorando diversos pontos fracos da personalidade humana. Entretanto, o desfecho, em que a guerra é impedida pela aliança entre um ice warrior, o Doutor, a Bill e o comandante do destacamento britânico, é como um fio de esperança em meio a tantos erros praticados pelos humanos. A solução também é generosa com os guerreiros marcianos, que foram mostrados como vilões em vários momentos, desde a série clássica, embora também já tenham sido retratados como um grupo pacífico.

Alpha Centauri, Ice Warrior e o 3º Doutor em The Curse of Peladon

Alpha Centauri, um Ice Warrior e o 3º Doutor em The Curse of Peladon

E é exatamente falando de série clássica que chegamos ao melhor desse episódio. É fácil entender que muita gente suspirou com a aparição da personagem Alpha Centauri, especialmente ao perceber que ela ainda tem a mesma voz de quando surgiu, em 1972, dublada pela atriz Ysanne Churchman. Nem tão fácil assim é perceber como os acontecimentos de Empress of Mars se entrelaçam com episódios que foram ao ar mais de 40 anos atrás. Quem não assistiu a série clássica dificilmente percebeu, mas a história funcionou como uma ligação entre os arcos The Seeds of Death (1969) e The Curse of Peladon (1972).  Até 1969, os Ice Warriors só tinham sido mostrados como guerreiros sanguinários, então três anos depois eles surgiram como parte da pacífica Federação Galáctica. A lacuna entre as duas histórias foi preenchida pelo enredo de Gatiss (para entender melhor sobre isso e descobrir mais sobre os nativos de Marte, recomendo a leitura desse texto de 2013).

Mas quem não está ligado na série clássica também não ficou sem referências para identificar. De  The Vikings (filme de 1958) a Frozen, não faltaram temáticas do cinema. Sem falar que todo fã de Star Wars deve ter dado um pulinho da cadeira com aquele “Eu tenho um mau pressentimento sobre isso”. De dentro do universo de Doctor Who, é importante destacar o quadro da Rainha Vitória, em que vemos a atriz Pauline Collins no papel da rainha, assim como no episódio Tooth and Claw, de 2006. E ainda uma referência clara ao fatídico (e terrível) Sleep no More, do próprio Gatiss, na fala repetida da imperatriz Iraxxa.

Mas e o Nardole? Quem assistiu o episódio viu que, a exemplo de outras histórias do início da temporada, o humanoide foi separado do Doutor e da Bill ainda no começo da trama. Dessa vez, o responsável foi um movimento inesperado da TARDIS, que voltou para a Universidade sem comando aparente e se recusou a sair de lá, forçando o assistente a buscar ajuda da Missy. O curioso é que, diferente do início da temporada, não há mais necessidade de deixar o personagem de lado para dar espaço para a relação entre o Senhor do Tempo e a Bill, o que nos leva a imaginar o que está por trás desse movimento inesperado da TARDIS. Ainda é cedo para dizer se realmente podemos confiar na redenção da Missy ou se ela teve alguma participação nisso, mas também é bom lembrar que estamos esperando um retorno do Mestre de John Simm, e que qualquer movimento duvidoso pode ser um sinal da sua presença. E é claro que Moffat e companhia sabem disso e vão usar tudo que poderem para nos encher de suspeitas, por tanto, uma coisa pode não ter nada a ver com a outra. A parte boa é que não teremos que esperar muito pra descobrir.

Denise Ferreira

Jornalista apaixonada por histórias e personagens fictícios, principalmente se eles viajarem pelo espaço a bordo de uma cabine azul.

  • Flávia Dagostim Minatto

    junho 15, 2017 #1 Author

    Achei o episódio muito bom, O enredo foi bastante linear, coerente e interessante, com um ar Classic Who. Sem mencionar que gritei internamente ao ouvir a inconfundível voz de Alpha Centauri. Nesses momentos é que se percebe como é bom ser fã da Clássica e assim estar apto para entender essas preciosas referências.

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