Um episódio com o título de “Smile” tem por obrigação fazer a gente dar pelo menos um sorriso verdadeiro durante o fim do episódio,... Review: Doctor Who S10E02 – Smile

Smile - 01
Um episódio com o título de “Smile” tem por obrigação fazer a gente dar pelo menos um sorriso verdadeiro durante o fim do episódio, e o resultado foi muito melhor do que o esperado. ‘Smile’ começa segundos após o término de ‘The Pilot’, episódio que abriu a décima temporada, e coloca Bill dentro da TARDIS pela primeira vez como sua passageira regular. Como já podemos notar no episódio anterior, Bill é gente como a gente e observa cada detalhe da TARDIS e se impressiona muito mais com a disposição das coisas do seu interior com o fato dela ser maior por dentro. “Por que os bancos ficam longe dos controles?” ou “Por que não tem um volante?, perguntas pertinents que não poderiam vir de outra pessoa que não fosse a Bill e só nos faz amar cada dia mais essa incrível personagem. Depois de muito tempo o Doutor finalmente está animado para a levar alguém para viajar, e isso é mostrado a todo momento com a excitação expressa em seu rosto ao conduzir Bill até o futuro.

E os viajantes caem mais uma vez em uma colônia humana futurística, algo tão novo em Doctor Who -SQN. Porém, o mais interessante é que apesar de ser difícil de fugir de uma estrutura básica para contar a história de uma colônia humana, cada episódio consegue trazer elementos diferentes e se destacar perante os demais no conjunto final da obra. Dessa vez, Doctor e Bill, após darem um “dibre’ em mamãe Nardollynho, conhecem uma colônia aparentemente vazia, exceto pela presença dos Vardis e dos emojibots, que nada mais é do que uma interface dos Vardis. O dislumbre de Bill com os mistérios do universo continua sendo facinante e toda a sua interação com o Doutor demonstra uma quimica fascinante entre Pearl Mackie e Peter Capaldi. Bill faz comentários pertinentes, muitas vezes bem humorados que casam perfeitamente com a atual personalidade do Doutor. Resgatar a relação tutor-aprendiz foi um grande acerto de Steven Moffat, não de uma forma como foi tratado com Clara, onde ela estava basicamente sendo treinada para virar um Doutor, mas sim de alguém que está simplesmente com um interesse gigantesco de conhecer o universo que, até então, era só palpável por meio de filmes, séries e livros. Repito mais uma gente: Gente como a gente!

A história é bem simples. Os Vardies/Emojibots tinham como função preservar o bem estar dos humanos, monitorando eles através das suas mudanças de humor, lidas por eles através de emojis. Logo na cena de abertura, vimos esses robôs matando duas mulheres após uma delas receber a notícia da morte de seus familiares. O curioso é que quem dá a notícia pede a todo o momento que a outra sorria desesperadamente, o que obviamente não acontece levando a morte das duas. Já no começo percebemos que os emojibots são exterminadores de tristeza, mas será que é só por isso? Ao chegar na colônia, o Doutor fica bastante intrigado com o contingente nulo de colonos, o que o leva a crer que os Vardies estão, na verdade, preparando o terreno para que a raça humana chegue e encontre o local habitável. A situação muda de figura pela primeira vez quando ele descobre que o fertilizante a base de cálcio utilizado nas platas provém da moagem de ossos humanos recém abatidos.

A partir daí, o Doutor se encontra mais uma vez com seu lado “Policial Intergalático”, como bem apontado pela Bill, e resolve salvar o dia, e a colônia, dos Vardies antes que os novos colonos cheguem. O outro ponto de virada do episódio acontece quando o Doutor descobre que os colonos já chegaram, e que seu plano de explodir todo o local para eliminar os nanorobôs piranhas assassinhas passou a ser carta fora do baralho. A causa para o ataque dos Vardies aos colonos é simplesmente a identificação do luto pela morte de alguém próximo como algo que vai de encontro ao bem estar e a felicidade do ser humano, fazendo com que pessoas tristes sejam abatidas. Obviamente isso gera uma reação em cadeia de tristeza e luto, e consequentemente todos os humanos vivos foram eliminados dentro de um dia. O problema se torna maior quando a presença do Doutor na nave, onde os humanos estavam em estado de animação suspensa, causa o despertar de todos e obviamente como ser humano é um bicho que fica a toa com sangue nos olhos, eles partem para a guerra com os Vardies. A resolução do problema é simples, e se da com um singelo “liga e desliga”, resetando toda a configuração dos Vardies e estimulando uma cooperação dos humanos com os robôs, visto que eles já conheciam a colônia bem antes dos novos moradores. Poderia ser melhor? Até poderia, mas o que foi apresentado não chega a desagradar.

 

O Emojibot adquirido pelo Universo Who, que foi devidamente reconfigurado, considerou esse episódio TOPPER!

O episódio é bem sucedido na sua missão de exploração o começo da relação do Doutor e Bill, apresentando para ela novos detalhes da personalidade e, porque não da sua particular biologia, afinal de contas, quem não se surpreenderia ao descobrir que o alienígena que acabou de conhecer tem dois corações e pode ter uma pressão sanguínea altissima. O restante dos personagens que apareceram no episódio são puramente secundários e servem apenas para fazer a história funcionar melhor. O enredo é simples e já batido, porém com uma condução satisfatória para o que foi proposto e é infinitamente melhor do que o episódio anterior desse escritor, “In the Forest of the Night” lá da problemática 8ª Temporada.

A décima temporada começa bem, com dois bons episódios e uma companion que possui uma química muito boa com o Doutor. Resta saber se a próxima aventura deles, ‘Thin Ice’, vai manter o nivel dos dois primeiros episódios.

Vinícius Viana

Farmacêutico, 26 anos, professor, aspirante a Doutor e completamente viciado numa tal série de um cara louco que viaja no tempo numa cabine de polícia azul.

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