Por Arlane Gonçalves Cold War não foi tão emocionante quanto The Rings of Akhaten, mas mesmo assim o episódio não poupou nada em referências mitológicas e,...

Por Arlane Gonçalves
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Cold War não foi tão emocionante quanto The Rings of Akhaten, mas mesmo assim o episódio não poupou nada em referências mitológicas e, por que não, uma interferenciazinha a mais do Doctor na história da humanidade.

Algo que eu acho muito engraçado em DW é a capacidade de persuasão do Doctor. Ou, em palavras mais aceitáveis, a capacidade de alguém de aceitar o que um completo estranho fala, depois deste mesmo estranho declarar ser um alien e/ou um viajante do tempo. Não sei. Se fosse comigo, ao ver uma caixa azul enorme surgir do nada, e dela sair dois malucos declarando que vieram do futuro (ou passado), eu certamente não os “trataria tão bem”.

Mas isso aqui é Doctor Who, claro. A “vítima da vez” pode até espernear um pouquinho, como fizeram os tripulantes do submarino, mas logo passam a ver coerência no que o Doctor fala, principalmente porque a situação que eles estão enfrentando também não é nada normal.

Uma coisa muito importante sobre Cold War é que ele é muito similar ao The Ice Warriors, o terceiro episódio da quinta temporada da série clássica. Nos dois casos: Ice Warriors são encontrados no gelo e retirados do congelamento por alguém muito estúpido impaciente; cientistas acham que o achado se trata de criaturas pré-históricas (na clássica foi mastodonte e na atual foi mamute); o Doctor aparece inicialmente salvando um grupo de pessoas de uma crise imediata para depois lidar com um Ice Warrior.

Neste 7×08, quando aparece a cena de um rapaz derretendo o gelo porque está curioso, a gente que está assistindo dá até uma risadinha porque sabe que tamanha burrice só pode dar em desastre. E o primeiro desastre vai de brinde justamente para o curioso.

Em relação ao final da história, Cold War é parecido com Battlefield, o primeiro episódio da 26ª (e última) temporada da série clássica. Nas duas situações, os vilões se prepararam para liberar uma bomba nuclear que destruiria o mundo, mas o Time Lord os convence do contrário.

Já quando falamos do envolvimento do Doctor na Guerra Fria, o roteiro foi inteligente ao “colocá-lo” no ano de 1983, que foi, na verdade, o ano em que a Guerra poderia ter deixado de ser fria e passado a ser quente, como tanto desejava o personagem mais chato do episódio, Lieutenant Stepashin.

Claro que nós adoramos ver a cara de decepção do Time Lord ao perceber que em seu caminho para Las Vegas ele não só foi para num submarino como foi num submarino soviético… debaixo do Pólo Norte, durante a Guerra Fria, prestes a matar todo o mundo. E mais decepcionado ainda ele ficou quando — logo depois de ter sua sonic screwdriver violentamente tomada de si — ver sua TARDIS capar o gato e fugir do meio do perigo… indo para o Pólo Sul. Como ele bem disse, “It never rains but it pours”, ou, para nós, “desgraça pouca é bobagem”…

Mas nem só de desgraça foi feito o dia, afinal, o Doctor ainda viveu o bastante para ver alguém obedecê-lo sem pestanejar. No momento em que ele diz para Clara “stay here” e ela responde “ok“, o alien nem acredita e enfatiza “Stay here! Don’t argue.“, ao que ela diz: “I’m not!“. Mesmo que o whovian que lê esta review seja fã de Rose, vamos concordar que se a companion da situação fosse a senhorita Tyler, tal surpresa não existiria. Era só o Doctor falar para a loira fazer algo, e lá estava ela, meio segundo depois, fazendo justamente o contrário. Lá no 1×09, The Empty Child (escrito por Moffat), o Time Lord chegou a afirmar que, em 900 anos de viagem no tempo, a obediência à ele seria a única coisa que o surpreenderia.

clara

Todavia, Clara não surpreendeu apenas positivamente. Não posso deixar de dizer que sua imensa vontade de agradar o Doctor me pareceu um tanto… irritante. Não só porque Clara Oswald nunca foi mostrada dessa forma, (e sim com uma garota que se impõe), mas também porque o bom de DW é ver o Doctor tentando agradar às suas companions, quase como numa incessante busca para escapar de sua eterna solidão. Sinceramente, não sei de onde saiu esse “tenho medo de desagradá-lo”, e espero que seja a primeira e última vez que vejamos isso.

O “tratamento especial” dado à moça durante os ataques de Shaldak também poderia não aparecer mais por aqui… Se o Grand Marshal estava à solta, e ela sabia disto, e ela já o tinha visto, qual era o sentido de dizer que os “barulhos aterrorizantes” eram pressão do submarino? Qual era o sentido de ficar tentando fazê-la cantar ou criar uma conversa qualquer para distraí-la? Ou ainda, qual era o sentido de ficar falando toda hora “tudo vai ficar bem”? Gente, a Clara não virou um bebê de uma hora para outra. Ora, ela é a companion mais inteligente!

Os bolsos do nosso alien preferido, ao que parece, seguem a mesma lógica da Tardis: são maiores por dentro (Genesis of the DaleksThe Runaway Bride). Ou pelo menos foi isto que a série deu a entender na cena em que até uma boneca e uma maçã caramelizada (!) foram retiradas de seu paletó. Dois detalhes (importantes ou não): em The Wedding of River Song o Doctor foi visto lendo sobre tricô, e em The Angels Take Manhattan ele “comentou” que “desistiu” de saber como as coisas param em seu bolso. E olha que estamos falando do homem que resolve todos os mistérios do universo.

Em relação ao (feudal) código de honra dos Ice Warriors, foi perceptível a admiração do Doctor no assunto. Admiração, respeito e medo, na verdade. Vale ressaltar, no entanto, que sua sétima encarnação mostrou, inicialmente, preconceito quanto a tais guerreiros, e apenas depois de aprender o Código deles é que passou a respeitá-los. A aparição de Skaldak reafirma, mais uma vez, que o Doctor tem sim (muito) medo, e marca também a volta dos vilões de sua espécie na série. A última vez que eles marcaram presença foi há 39 anos, em The Monster of Peladon.

E, só dando um palpite, Moff deve voltar a usar os marcianos não muito longe. Skaldak ficou preso no gelo por 5.000 anos e ainda foi salvo por uma nave de seu povo, o que indica que eles ainda estão por aí (como o Doctor disse). E também, além de aprender bastante sobre a forma de pensar dos humanos, ele mencionou a existência de poderosas Ice Warriors, no caso, sua filha. É uma “cultura” tão grande que até imagino o showrunner mais doce do século coçando os dedos para explorá-la.

Confesso que Cold War, para mim, não foi uma das melhores coisas produzidas por DW, e também não foi um dos melhores momentos de Clara. Matt, por outro lado, conseguiu se sobressair como sempre, especialmente nas sacadas cômicas do roteiro, sempre recheadas com aquelas caretas que só ele sabe fazer. Para finalizar, quero terminar a review comentando sobre o momento da aparição do Ice Warrior diante do Doctor e da trupe do submarino. Stepashin, como não poderia deixar de ser, eletrocuta o marciano verde usando eletricidade e a água que estava no chão. Mas aí a gente se pergunta: não estavam todos pisando na água? Como é que somente um deles recebeu o choque? Está aí um bom enigma para o senhor Steven Moffat resolver…

 

Observações:

# Dois fellas de Game of Thrones bateram ponto em Cold War. O Capitão Zhukov (Liam Cunningham) é, na verdade, Ser Davos Seaworth, e Lieutenant Stepashin (Tobias Menzies) é Edmure Tully. E o fandom não podia, de jeito nenhum, deixar isso passar batido. Com vocês, senhoras e senhores, a verdade que nos foi omitida (by ohdearitsfatal):

got

# Clara aprendeu bastante neste episódio. Primeiro foi sobre a matriz tradutora da Tardis, segundo sobre como o tempo é um fluxo e pode ser reescrito, e terceiro sobre o Hostile Action Displacement System (Sistema de Decolamento em Situação Hostil), o HADS.

# O HADS foi o “responsável” pela regeneração do sexto Doctor. O Sixth não arrumou o tal sistema e por isso não pode evitar as “pancadas tumultuosas” da Tardis, que causaram sua morte (Áudio: The Girl Who Never Was, Prosa: Time and the Rani Novelisation).

# Sobre a dúvida do professor Grisenko quanto ao fim do Ultravox, ele provavelmente ficaria feliz com a resposta. Os caras pararam as atividades em 1987, mas retomaram em 1992. Daí pararam de novo em 1996, mas voltaram à ativa em 2008 e estão aí até hoje.

# Fico imaginando que significado Moff arrumará para a boneca de cabelo loiro. Alguém tem um chute?

O site oficial de Doctor Who tem uma galeria mostrando a trajetória dos guerreiros do Red Planet na série. Clique aqui e veja a galeria A look back at the green men from the Red Planet.

# Por favor, me digam, whovians. Como lidar com ISTO?

 

Oh please…

Universo Who

Publicações feitas por colaboradores que em algum momento fizeram parte da história deste site desde 2009, mas que não mais fazem parte do projeto.

  • Rilson

    abril 28, 2013 #1 Author

    Gostei da review e me senti do mesmo jeito em relação ao episódio.
    Não foi tão bom quanto poderia ter sido.

    Mas… Acho que você perdeu um detalhe do que aconteceu antes da Clara obedecer ao Doctor. Ela viu pela primeira vez pessoas mortas, por isso ela fica meio que em choque, ela até mesmo diz que agora ela voltou pra realidade. É a primeira companion que se choca tanto em relação ao métodos dele, e você pode ver isso em diversos episódios, já que a Clara, mesmo sendo especial (e não sabendo disso) ela é uma versão realista, diferente das outras, que dificilmente mostravam o tipo de emoções que a Oswin mostra.

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  • Pamii

    abril 28, 2013 #2 Author

    A história dela não querer decepcioná-lo me lembrou bastante Amy Pond…. A cena de que ela seria a unica que poderia falar com o Ice Warrior e se prontifica a isso me lembrou o eps 5×06 Vampires of Venice quando a Amy se “candidata” a ir se matricular na escola onde as garotas somem e o doutor, assim como fez com Clara, nega a princípio.

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  • Hunter Lowis

    abril 28, 2013 #3 Author

    achei Cold War melhor que o anterior. D:
    The Rigs of Arkhaten teve um ótimo dialogo, mas na hora não foi nem um pouco emotivo. Na verdade me pareceu até forçado. Sim, eu sei q ele sofreu muito, é sozinho e tudo mais, mas sinto que nas temporadas anteriores(com o 10°) isso ficava evidente só de olhar pros olhos dele. Não era necessario gritar as quatro ventos isso toda hora.
    Na verdade essa coisa das companions quererem agrada-lo sempre houve! o Rory mesmo já tinha falado isso, e eu concordo inteiramente! acho q a única q fugiu a isso foi a Donna, mas Rose, Martha e Amy sempre teve. Acho q nesse epsisódio apenas retomaram essa questão, pra ser desenvolvida mais tarde.
    ah, e ADOREI esse primeiro gif! xD

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  • Maria Lua

    abril 28, 2013 #4 Author

    Também estranhei a princípio a Clara estar tão boazinha, mas quando fui reassistir prestei atenção no que o Rilson disse, sobre ela ver as pessoas mortas; e mais do que mortas, estraçalhadas. Acho que o Doctor ficou com medo de ela entrar em pânico e por isso insistiu tanto em fazer ela pensar que estava tudo bem, ele NUNCA ia querer perder de novo a Clara.

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  • Jéssica Laíse

    abril 29, 2013 #5 Author

    Gatiss nunca acerta em Doctor Who, isso já é tradição. Gostei muito do Matt (gatão). Mas é um episódio para ver uma vez só e tá bom.

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  • Liah

    abril 29, 2013 #6 Author

    Foi um Episódio fraco comparado com a parte A (Exceto o Power of Three que foi fraquinho) e com os primeiros episódios da sétima setima parte B…Amei as tranqueiras que tiraram do bolso do doctor…Acho que a roupa da barbie parece com a roupa da Rose no Satan pit…
    E mais uma vez a Tardis Deu o fora…o sistema de fuga em caso de ação/situação hostil,já que a ultima vez que a vimos foi em blink…

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    • Rafael

      maio 18, 2013 #7 Author

      Achei que no blink o Doutor tinha sido teleportado com a Martha pro passado pelos anjos, ainda acho isso, pq nao da pra ter certeza do que aconteceu mesmo pois nao mostrou

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