Continuando nossa nova missão de fazer reviews da série clássica, chegamos à segunda temporada com o arco Planet of Giants. A história é composta... REVIEW CLÁSSICA: Arco 009 – Planet of Giants

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Continuando nossa nova missão de fazer reviews da série clássica, chegamos à segunda temporada com o arco Planet of Giants. A história é composta por três episódios, exibidos originalmente entre 31 de outubro e 14 de novembro de 1964. Aqui, os personagens principais continuam os mesmos do início da série: o primeiro Doctor, Susan e os professores Barbara Wright e Ian Chesterton. Essa também é a primeira vez, desde o arco de estreia (‎An Unearthly Child), em que vemos os personagens no cenário contemporâneo da série, ou seja, na Inglaterra dos anos 60.

As primeiras cenas mostram o grupo na TARDIS, aproximando-se de um destino desconhecido (sim, o Doctor ainda tem mais problemas com a navegação da TARDIS do que o que estamos acostumados) e, ao tentar uma frequência para pular do final do século XVIII para meados do século XX, a nave tem uma reação inesperada e as portas se abrem antes da materialização estar completa. Apesar do perrengue pra fechar tudo à força, aparentemente, não houve nenhum dano e o pouso se completa, então todos saem para descobrir onde estão. Alguns minutos de caminhada são suficientes para perceber o que houve: a falha fez com que a TARDIS e seus tripulantes diminuíssem de tamanho, deixando-os com menos de três centímetros. Começa assim uma aventura à la Querida Encolhi as Crianças, onde um inseto, ou uma torneira, podem ser ameaças letais.

Mas o verdadeiro mote da história vem em seguida. No meio das dificuldades de reunir o grupo para voltar à TARDIS e resolver o problema, eles testemunham um assassinato e descobrem uma trama para colocar à venda um inseticida com alto poder destrutivo, que, se usado em larga escala, ameaçaria todo o ecossistema. A partir daí, vem mais dois desafios: impedir que os criminosos atinjam seu objetivo e sobreviver ao produto, já que, do jeito em que estão, a substância também pode matá-los. Isso tudo enfrentando as dificuldades naturais de estarem menores que um palito de fósforo.

Um dos pontos mais interessante deste arco é que esta foi a primeira história da série usada para falar sobre ecologia. A ideia de fazer uma aventura em que a TARDIS e os personagens fossem miniaturizados já existia desde que o programa foi concebido, mas foi o escritor de Planet of Giants, Louis Marks, que pensou em usar o recurso para mostrar os perigos dos inseticidas. Ele foi inspirado pelo livro Primavera Silenciosa, da cientista Rachel Carson, que documentou os efeitos negativos de pesticidas. Além de fazer um link bem interessante com a realidade, o tema deu ao programa a possibilidade de questionar e criticar algo que estava acontecendo em vários lugares do mundo (e, infeliz mente, continua).

Inicialmente, a história seria contada em quatro episódios, mas a BBC achou que o desenrolar dos acontecimentos seria melhor se fosse contado em apenas três. Então, os dois últimos episódios foram editados como um só. A decisão foi bem acertada, porque o arco ganhou uma dinâmica que dificilmente aconteceria se ele fosse maior, embora ainda tenha um ritmo um pouco mais lento do que estamos acostumados com a série moderna. Outro recurso que deixa a história mais interessante é a trama policial que acontece paralela às aventuras do Doctor e seus amigos, dando mais ação ao enredo.

Talvez pelo fato de estar ambientado no “presente”, o arco explora aspectos que nem sempre são possíveis nas outras histórias. Sem um período histórico para explicar, nem outros alienígenas para apresentar, o enredo é construído com base no ser humano e no que ele é capaz quando seus interesses estão em jogo. Por isso, essa é uma das minhas histórias preferidas da era do primeiro Doctor.

Se não viu ainda, ou quer rever o arco, é só conferir aqui neste link.

Denise Ferreira

Jornalista apaixonada por histórias e personagens fictícios, principalmente se eles viajarem pelo espaço a bordo de uma cabine azul.

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