Chris Chibnall, que substituirá Steven Moffat em 2018, está planejando algumas ideias sobre como o roteiro de Doctor Who deve ser escrito. O objetivo... Processo de criação de roteiros de Doctor Who talvez passe por mudanças

Chris Chibnall, que substituirá Steven Moffat em 2018, está planejando algumas ideias sobre como o roteiro de Doctor Who deve ser escrito. O objetivo é fazer com que o processo de produção de roteiro seja mais similar com o modelo de script americano. É entendido que Chibnall continuará comprometido a escrever episódios sozinho, mas ele vem examinando a possibilidade de criar uma sala de escritores em algumas instalações do quartel de Doctor Who.

“Ninguém é contra a ideia. Muitos escritores gostariam de tentar isto, mas você deve desviar de dificuldades práticas. Nosso trabalho como um sindicato é não quebrar ou atrasar as coisas”, completou. “Ainda é muito cedo, nenhum modelo fixo foi decidido ainda”, disse um porta voz da BBC. “Chris Chibnall como novo showrunner escreverá seus próprios episódios. Ele está no momento explorando diferentes maneiras de trabalhar com os novos e estabelecidos escritores da série.”

A ideia da sala de escritores já foi sugerida antes em Doctor Who. Em 2008, o escritor Paul Cornell, que escreveu o episódio duplo Human Nature / Family of Blood – época em que David Tennant era o Doctor -, pediu que a série fosse escrita por um grupo de escritores particulares. “Há diversos motivos pelo qual isso não acontece no Reino Unido”, disse o time de escritores da BBC em seu website. “O primeiro é que nós produzimos coisas curtas. Nós temos um showrunner e um monte de freelancers que estão fazendo outras coisas ao mesmo tempo, que não estão no time e não recebem salários, mas são pagos apenas por seus roteiros. Isso acontece porque, eu acho, os escritores ainda não são vistos como funcionários”.

Russell T. Davies foi quem introduziu a ideia de ter um showrunner a Doctor Who quando trouxe a série de volta, em 2005, mas parou de pedir por uma sala de escritores. Ele mapeou a série inteira e então dividiu os episódios entre um grupo de escritores. Não havia uma organização de colaboração formal embora houvessem encontros regulares para discutir alguns aspectos e para se empenhar na leitura dos roteiros. Este sistema está sendo mantido por Steven Moffat.

Corbett, que se afastou de sua posição principal do WGGB após 16 anos, disse que a organização estaria observando com interesse qualquer mudança na maneira como Doctor Who é escrita. “Se houverem problemas, então os escritores podem vir até nós e poderemos levar suas preocupações a BBC, mas nós esperamos que haja um bom sistema disponível que suprirá seus interesses”, disse. Ele ainda falou que a introdução de um novo sistema – que é favorecido nos Estados Unidos mas não é muito falado no Reino Unido – foi um desenvolvimento potencialmente animador. “Aqui, os escritores tendem a ser mais individuais e nos Estados Unidos há uma concentração deles em Los Angeles ou em Nova York. Nossos escritores tendem a viver espalhados: em Londres, em Bristol, Bath e Durham. Pode ser difícil para eles comparecerem à a sala de escritores, mas se eles puderem se reunir para trabalhar com a série, então parece uma ótima ideia”, completou.

Os escritores britânicos tendem a ter um rendimento baixo, então seria impossível para eles se realocarem em Londres, a não ser que o pagamento estivesse “a nível de Los Angeles”. “Eles podem não querer isto e iria distorcer o mercado no Reino Unido”, disse. “Além disso, salas de escritores são caras e elas tendem a funcionar melhor nos Estados Unidos, onde as séries duram mais tempo. Doctor Who é, em muitas maneiras, uma série que esteja talvez se movendo na mesma escala que as americanas, então parece um bom ajuste. Não é que não queremos fazer isto no Reino Unido, mas isto é sobre a escala. Três escritores não poderiam compor uma sala de escritores. Uma sala destas é de certa forma, não de modo ruim, uma fábrica de escrever. É um grande passo. Se acontecerem problemas, nós iremos intervir, o sindicato deve garantir isso. Mas não estamos aqui para bloquear progresso. Estamos aqui para incentivar novas ideias assim como práticas antigas,” completou.

O atual escritor de Broadchurch deve assumir a posição de showrunner no ano que vem, mas seus episódios irão ao ar só em 2018. Steven Moffat ainda está no time de Doctor Who e está encarregado  do Especial de Natal deste ano, a 10ª temporada e o Especial de Natal do ano que vem.

 

Fonte: Radio Times

Camila Cetrone

  • Djonatha Geremias

    maio 4, 2016 #1 Author

    A grande maioria dos fãs não se importa com essas questões de roteiristas, mas é muito importante que as pessoas entendam como isso influencia diretamente na qualidade do show. Doctor Who de fato tem se tornado uma série muito diferente das demais no Reino Unido e tem tudo para ser precursora de um novo modelo de trabalho de sucesso, a ser seguido pelas demais produções. Parabéns ao Universo Who por trazer esse tema ao público. Sobre a sala de escritores, eu imaginava que já houvesse algo similar acontecendo de forma não oficial na pré-produção de Doctor Who, mas não sabia que o trabalho ainda fosse tão “informal”. É bom continuarmos acompanhando essas discussões para que possamos entender e opinar com propriedade sobre os caminhos que a série toma, quando gostamos ou não de algum episódio, etc. Sucesso ao Chibnall!

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  • Amaro

    maio 6, 2016 #2 Author

    Que mania das pessoas de tentarem americanizar tudo.Um dos diferenciais de Doctor Who é justamente por ser uma série inglesa.
    Doctor Who sempre foi escrito como um livro ou uma obra de arte,mas parece que querem transforma-lo em puro show business.

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  • Victória Reis

    julho 12, 2016 #3 Author

    Eu não sei o que achar sobre isso, mas espero que continue com a mesma essência. Por favor, BBC, mantenham o diferencial de Doctor Who. Mas o bom é que isso irá aumentar o público da série, e o lado ruim são as pessoas chatas que vêem defeito em tudo.

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