Frequentemente, Doctor Who Clássico nos brinda com arcos que são gostosos de se acompanhar. Arcos que superam as limitações de roteiro, orçamento, atuação e... REVIEW CLÁSSICA: Arco 016 – The Chase

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Frequentemente, Doctor Who Clássico nos brinda com arcos que são gostosos de se acompanhar. Arcos que superam as limitações de roteiro, orçamento, atuação e você se diverte de uma forma que jamais conseguiria imaginar com uma produção da década de 60. “The Key Of Marinus” e “The Romans” são bons exemplos de arcos que deram certo, e além de não cairem no marasmo, entretem o telespectador e “The Chase” chega para entrar para essa lista restrita de arcos dos primeiros anos de Doctor Who. “The Chase” é um arco bastante aventuresco e que, além de tudo, marca a despedida dos primeiros companheiros involuntários do Doutor, os professores Ian e Barbara. Os dois se despedem de vez do Doutor após 16 arcos como companheiros de viagem do Doutor e nada melhor que um arco maravilhoso para coroar essa despedida.

Após os eventos de “The Space Museum” a tripulação da TARDIS aterrissa em um terreno desértico completamente tranquilo, o que faz com que Ian e Vicki se sintam confortáveis para sairem para explorar. Obviamente, como estamos tratando de Doctor Who, essa calmaria não dura muito tempo e enquanto Ian e Vicki são pegos por uma armadilha, Barbara e Doctor interceptam uma transmissão da frota Dalek que planejam “EXTERMINAR” o Doutor e seus companheiros. Os dois partem em busca de Ian e Vicki para fugirem rapidamente do planeta para evitar um confronto direto com a frota Dalek, que já estava presente no mesmo planeta que eles. Após passarem por uma tempestade de areia os dois são resgatados por um grupo de nativos Aridianos(espécie humanóides anfíbios predominante do planeta Aridius) e logo em seguida os mesmos conseguem resgatar também Ian e Vicki. Porém, rapidamente a segurança dos quatro é comprometida e uma confusão os obriga a fugirem correndo do local e sair com a TARDIS do planeta.

E é a assim que a perseguição que dá nome ao arco se inicia com o Doutor e seus companheiros passando por diversos locais, pelo tempo e espaço obviamente, para tentarem fugir dos Daleks que estavam no encalço da TARDIS e que se aproximavam a cada vez mais. É muito interessante ressaltar que dessa vez a narrativa não escolheu um planeta ou um local do tempo para ocorrer o que trás uma dinâmica bastante interessante para o arco, não deixando ele cair na monotonia. Em uma parte do arco eles chegam a ficar pulando de local em local para fugir dos Daleks, passando desde a Empire State Building até uma casa mal assombrada, com monstros populares como o Dracula e o Frankestein. Essa é a parte mais divertida do arco com aquele jogo de gato e rato com toques de humor, que não eram tão marcantes assim nos primeiros anos de Doctor Who, e chega a ser hilário imaginar o Doutor, os seus companheiros, os Daleks e um monte de monstros das histórias de terror em um mesmo local e uma confusão tremenda. Confesso que fiquei imaginando o quão divertido deve ter sido pro elenco gravar essa cena.

Após essa danação inicial, Vicki acaba sendo deixada para trás e é capturada pelos Daleks, o que obriga o Doutor se encontrar com os Daleks para resgatar a moça. O encontro acontece em Mechanus, um planeta selva, onde os Daleks construiram a sua base e lá estavam desenvolvendo uma réplica andróide do Doutor. Obviamente, com os recursos audiovisuais precários da época, tiveram que chamar um outro ator para interpretar a versão andróide do Doutor o que, para mim, deixou a situação ainda mais divertida (Além de galhafosa haha). Após os eventos com o Doutor Andróide os quatro acham uma cidade no meio da selva, e são capturados por Mechanoids levando-os como prisioneiros para a cidade. Nesse local eles conhecem Steven Taylor, um astronauta que vem sendo feito prisioneiro pelos Mechanoids há dois anos e que auxilia o Doutor e os seus companheiros a planejar uma fuga da cidade para retornarem até a TARDIS. Não demora muito até que os Daleks descubram a localização dos quatro e iniciem um ataque à cidade, resultando em uma interessante batalha visual entre os Mechanoids e os Daleks. É divertido ver como eram feitas as coisas na época e que a ausência de recursos nos presenteia com explosões de maquetes e miniaturas que, vamos combinar, é muito divertido. Efeitos especiais são legais? São e muito, mas não é necessário ter uma explosão de CGI à lá Michael Bay ou Zack Snyder para que a sua experiência com uma série ou filme seja divertida.

Por fim, os cinco conseguem fugir, porém Steven acaba sendo separado do grupo que encontra além da TARDIS, uma das máquinas do tempo dos Daleks. Ian resolve então pedir para que o Doutor ensine à eles como operar a nave para que possam voltar para Londres. É interessante notar que nos primeiros anos da série as despedidas não pareciam ser antecipadas, tornando as saídas um pouco mais abruptas no fim do arco como se fossem decisões repentinas. Entretanto, não deixa de ser triste de ver Ian e Barbara voltando para Londres sem o Doutor, sabendo que eles nunca mais se encontrarão e que mais uma vez o Doutor terá que lidar com a partida de pessoas queridas de sua vida, e bem, sabemos que até hoje nunca é fácil para ele se despedir de um companheiro. O Doutor segue então com Vicki para um novo lugar, porém uma surpresa o aguarda para o próximo arco.

Tá sem nada para fazer em um dia nublado? Baixe o arco de The Chase que é super divertido e com certeza valerá as horas dedicadas à ele. E você pode encontrar o arco aqui!

Vinícius Viana

Farmacêutico, 26 anos, professor, aspirante a Doutor e completamente viciado numa tal série de um cara louco que viaja no tempo numa cabine de polícia azul.

  • Rene LC

    outubro 10, 2016 #1 Author

    Sem dúvida, um dos melhores arcos do primeiro Doutor que assisti, apesar de parte da crítica na época rechaçá-lo. A dinâmica da perseguição, com os personagens saltando de local em local, de época em época é tão intensa e divertida que fica marcada em nossa memória de tal forma que facilmente conseguimos lembrar deste arco.

    Uma curiosodade deste arco é que o ator Peter Purves que interpretou Morton Dill, o ‘caipira’ no topo do Empire State, no início do arco foi, ainda durante as gravações do arco, convidado a personificar o próximo companheiro do Doutor, Steven Taylor, para os próximos nove arcos. Alguém questionou o fato de um mesmo ator interpretar dois personagens na mesma história, ao que a produção retrucou dizendo que a atuação dele foi tão boa como Dill que ninguém perceberia. E de fato, ninguém percebeu.

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    • Rene LC

      outubro 10, 2016 #2 Author

      A propósito, acho que não deixei claro que o Peter Purves interpretou ambos os personagens , Morton Dill e Steven Taylos, neste mesmo arco, o primeiro no início e o segundo mais para o final.
      Mais detalhes no site da BBC (em inglês): http://www.bbc.co.uk/doctorwho/classic/episodeguide/chase/detail.shtml

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    • Vinícius Viana

      outubro 11, 2016 #3 Author

      Nossa!! Verdade, eu não reparei mesmo! Obrigado pela informação. Esse arco é muito bom mesmo e um dos melhores do primeiro Doutor. É um aco completamente diferente justamente pelo dinamismo da narrativa.

      Obrigado pelo comentário 😀

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    • Amaro

      outubro 11, 2016 #4 Author

      eu também não tinha percebido

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  • Amaro

    outubro 11, 2016 #5 Author

    Saudades Ian e Barbara

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    • Vinícius Viana

      outubro 11, 2016 #6 Author

      Foram excelentes companheiros pro Doutor, farão falta.

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      • Rene LC

        outubro 14, 2016 #7 Author

        Sim, foram. Mas não farão falta por muito tempo, já que haverá companheiros marcantes para o Doutor no futuro (do pretérito, hahaha), a começar pela era do segundo Doutor, com o Jamie McCrimmon (Frazer Hines) e a Zoe Heriot (Wendy Padbury).

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        • Rene LC

          outubro 14, 2016 #8 Author

          A propósito, o Jamie foi tão importante a ponto de reaparecer no arco 141 – The Two Doctors (Os Dois Doutores) – durante a era do 6º Doutor. Mas estes personagens e arcos são assunto para outros reviews.

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          • Vinícius Viana

            outubro 19, 2016 #9 Author

            O Jaime foi importante demais pro segundo Doutor.

        • Vinícius Viana

          outubro 19, 2016 #10 Author

          Verdade, mas vejo a importância dos companions pelo Doutor que eles acompanham. Muito dificil analisar sem separar por eras…

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